quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lira Paulistana - 30 anos - Percutindo Mundos




Percutindo Mundos na Comemoração dos 30 anos do Lira Paulistana


Nos anos de 1979 a 1986, na Praça Benedito Calixto, São Paulo, o teatro Lira Paulistana lançou nomes como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Premê, Na Ozzetti, Tete Espíndola, Língua de Trapo, Ultraje a Rigor e Titãs, irradiando o movimento que seria conhecido como Vanguarda Paulista. Um momento único que se proliferou e influenciou a cena musical do país. Hoje se comemora os 30 anos do Lira Paulistana, evento que começou no dia 03 e segue até 13/12 na FUNARTE SP e na Praça Benedito Calixto, São Paulo.

O grupo de música contemporânea caiçara “Percutindo Mundos” representa o litoral paulista nesse importante e histórico evento. Com apresentação para 10/12 as 19 hs na Funarte SP – Sala Guiomar Novaes (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – São Paulo).

O Percutindo Mundos reúne música, filosofia, literatura e dança contemporânea em seu show “O Universo em Movimento”.

Com participação especial de Carla Fá (voz e percussão)



e Célia Faustino (dança contemporânea)



o show promete um verdadeiro deleite para os olhos e corações antenados com a vanguarda, com a fome do novo e a necessidade de encontrar outros caminhos para expressar a universalidade.

Segundo Márcio Barreto (líder do Percutindo Mundos) “participar dessa celebração é uma honra e fonte de inspiração para que a vanguarda seja reinventada”.

Os convites são gratuitos e devem ser retirados com 1 hora de antecedência na bilheteria. O evento é uma realização da FUNARTE SP e Atração Fonográfica. Maiores informações tel. 11-36625177

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bienal SESC de Dança - Conexões

célia faustino - foto: biga appes


Santos tem sido palco de importantes acontecimentos culturais como o Festival Música Nova, Curta-Santos, Tarrafa Literária. Eventos que colocam nossa cidade em evidência no cenário mundial da arte. Temos tradição e vontade de continuar criando. A Bienal SESC de Dança é outro evento do qual podemos afirmar essa visibilidade. Hoje a arte se mostra contemporânea, buscando novos caminhos, novos olhares, gestos, misturando e recriando. A Bienal expressa muito bem esse preceito ao interagir com os espaços da cidade, levando ao público o que há de mais significativo na dança contemporânea, tangendo caminhos que nos remetem ao que somos e representamos no mundo. “Conexões” não poderia ser um tema mais oportuno, pois a arte sem a conectividade estaria fadada a mais profunda solidão. Promover o encontro de artistas de várias regiões do país e do exterior consolida a criação, fomenta a inspiração e promove valores importantíssimos e comumente esquecidos nesse tempo de hiper-conectividade virtual, o encontro e a amizade.



Santos acontece, pulsa, vibra e sementeia novas possibilidades para a arte, novas procuras, dúvidas. E não poderíamos estar melhores representados, pois o trabalho que no decorrer de longos anos vem se recriando na dança é digno de respeito. Uma tradição que remonta grupos como o Grupo Nascente, Oficina de Dança, Andara, Naturessência, Nuages, Zephyrum, Corpo Estável de Dança, entre outros. Assim vemos o respeito com o qual a Bienal trata nossos artistas, reconhecimento pelo longo caminho percorrido, muitas vezes árduo, mas sempre gratificante para aqueles que acreditam que ainda podemos mudar o mundo através da recriação pessoal. Célia Faustino e Rita Nascimento, ícones da dança em nossa região, apresentam seus trabalhos inspirados na gestualidade do novo, na procura incessante por outros caminhos, diferentes linguagens que convergem para suas pausas, mãos, rigores e liberdades.



“Repetição e / ou Transformação – farejando as pistas desse corpo-casa” de Célia Faustino, mostra a fragmentação do discurso existencial, a procura, a hesitação, a angústia da aprendizagem. Inspirado no universo anímico de Clarice Lispector, “É uma longa tessitura de gestos, ações, repetições, acelerações e desacelerações. Um sujeito em construção”, explica Célia. Marca também sua volta aos palcos, muito esperada e festejada por todos que acreditam na visceralidade e contundência da dança contemporânea. E o melhor, poderemos conferir seu trabalho no dia 04/11 (quarta-feira), as 18 hs, na Casa da Frontaria Azulejada e dia 08/11 (domingo), as 17:30 hs, na Pinacoteca Benedito Calixto. Caso chova, a apresentação na Pinacoteca será transferida para o SESC-Santos no mesmo dia e horário.

rita nascimento - foto: biga appes


Rita Nascimento, 25 anos dedicados à dança, integrante de grupos como o Corpo Estável de Dança e 12 anos desenvolvendo trabalho solo, apresentará “Faz de Conta que Ela Não Estava Chorando por Dentro…” – Espetáculo que circunda a literatura de Clarice Lispector e a arte de Frida Kahlo. “Esta é uma pesquisa onde a poética do movimento é construída por meio da articulação entre a dança e a literatura. A música é mais um elemento que estabelece relações com o corpo e a palavra.”, segundo Rita. Apresentações: 05/11 as 19:30 hs no Fosso do Teatro (SESC-Santos) e 07/11 as 17:30 na Pinacoteca Benedito Calixto.



Reconhecendo e valorizando nossa produção artística local, eventos como a Beinal SESC de Dança, comprovam a excelência da criatividade de nossos artistas e a felicidade do público.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009




3° SARAU CAIÇARA – PINACOTECA BENEDITO CALIXTO

A Pinacoteca Benedito Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 - Santos /SP) será palco de uma manifestação que vem reunindo cada vez mais adeptos e despertando a reflexão sobre a importância de nossa identidade cultural. Artistas, músicos, pesquisadores e escritores do litoral paulista, preocupados com sua herança histórica e com a formação de uma arte contemporânea caiçara, realizarão em 18 de outubro, domingo, a partir das 14 hs, o 3º Sarau Caiçara.

A 3° edição do evento comemorará a apresentação do projeto de lei para a instituição do “Dia do Caiçara” no calendário de Santos, litoral paulista. Fruto da pesquisa de Márcio Barreto, presidente do Instituto Ocanoa e organizador do evento, foi apresentado pela vereadora Telma de Souza (PT) na Sessão da Câmara e encaminhado para as comissões técnicas do Legislativo. Segundo Telma de Souza, tudo o que se fizer em torno desta data, a fim de homenagear, debater ou discutir, ajudará a definir a identidade caiçara, pois “A identidade de um povo é condição primordial para que ele saiba seu lugar no tempo e no espaço, para que tenha consciência histórica, com respeito às suas grandezas, sua arte, cultura e modo de vida”.


O evento anterior, também na Pinacoteca, contou com um público de mais de cem pessoas e a participação de artistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e litoral paulista. Esta edição contará com a participação de Flavio Viegas Amoreira (Santos /SP) - escritor vanguardista, importante colaborador de jornais e sites, poeta, jornalista e agitador cultural apresentará o texto “Apaixonado de mar”; Percutindo Mundos (São Vicente /SP), grupo experimental de música contemporânea caiçara que atua na criação de uma arte caiçara contemporânea através da música, vídeo, literatura, arte-educação e filosofia; Ademir Demarchi (Maringá /PR), escritor com livros publicados no Brasil e exterior, formado em Letras - Francês, com Mestrado (UFSC) e Doutorado (USP) em Literatura Brasileira, é editor da revista BABEL, de poesia, crítica e tradução;; Adilson Félix (Santos /SP), fotógrafo premiado internacionalmente, cujos trabalhos vão da alta moda em Paris e Nova Iorque à AIDS em Uganda e aos conflitos religiosos no Oriente Médio; Zéllus Machado (Santos /SP), músico, compositor, ator, artista multimídia, tem seus trabalhos semeados na literatura, no teatro, na música e na cultura caiçara; Tubarão (Santos /SP), escritor, artista plástico e arte-educador, expressa-se através de sua "Arte Dulixo" - um conceito que trabalha com diversas manifestações artísticas e culturais; Wylmar Santos (São Vicente /SP), músico, intérprete, compositor e pesquisador, no seu trabalho mergulha no universo de compositores malditos e em suas composições com parceiros; Biga Appes (São Vicente /SP), fotógrafa e agitadora cultural, participará com exposição de fotografias que retratam o universo caiçara urbano; GatoNinja (São Paulo /SP), rapper e escritor que atua no litoral paulista e São Paulo, envolvido com a literatura periférica e a música; Cyro Barreto (São Paulo /SP), poeta da novíssima geração, jovem escritor cujo vigor e profundidade poética se mesclam na improvisação do free style; Andréia Passos (São Paulo /SP), cantora, pianista e compositora paulistana; Coral Fosfertil Baixada Santista com a regência da maestrina, pesquisadora e escritora Meire Berti (Santos /SP); AnaK Albuquerque (Cubatão /SP) e Giovane Nazareth (Cubatão /SP) com o projeto “Aluminarte” - esculturas feitas a partir da fundição de latas de alumínio recicladas; José Geraldo Neres (Diadema /SP), poeta, ficcionista, roteirista, atua na área de Gestão Cultural como produtor e arte-educador, ministrando oficinas literárias; Kiusam de Oliveira (Diadema /SP), pedagoga, bailarina, coreógrafa, Doutora em Educação e Mestre em Psicologia (USP), atua como gestora pública na Secretaria de Educação de Diadema, arte-educadora ministrando oficinas sobre empoderamento feminino a partir da pedagogia da afrodescendência através da Dança Mítica dos Orixás; Marcelo Gama (Santos /SP), escritor, compositor, jornalista, agitador cultural e representante dos Novos Praianos; Márcia Costa (Santos /SP), jornalista e produtora cultural; Alessandro Atanes (Santos /SP), jornalista, escritor, músico e compositor; Erika Karnauchovas (Santos /SP), mestre em Artes Cênicas com a pesquisa "Um processo criativo em dança contemporânea”: a simbiose Pedra / Osso na conexão entre os Princípios da Eutonia e os Fatores do Movimento, concluída em 2008 no Instituto de Artes da Unesp, SP, Erika se apresentará com os músicos Drieli Gaona e GG.com cenografia de Gilson de Melo Barros; Christy-ane Amici (Santos /SP), atriz, bailarina e coreógrafa que apresentará um fragmento da peça “Atro Coração” de Márcio Barreto; Adriane Almeida (Santos /SP), educadora e bióloga com a performance teatral “Ciranda Caiçara” representada pelos alunos da Escola Municipal Lucio (São Vicente /SP) e Anna Fecker (Santos /SP), atriz e modelo.


Segundo Márcio Barreto “O Sarau Caiçara possibilita o encontro de artistas, jornalistas e pesquisadores em torno da reflexão sobre nossa identidade cultural, base para a criação artística de nossa região”. As outras edições aconteceram em Santos, São Vicente e Paraty, Rio de Janeiro. O evento é gratuito.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Por que somos Caiçaras?



foto e texto: márcio barreto



Caa-içara é uma palavra de origem tupi que significa “armadilha ou cercado de galhos”. Segundo definições acadêmicas, o caiçara é visto como o indivíduo de comunidades tradicionais de pescadores localizadas no litoral sul do Rio de Janeiro, no litoral de São Paulo e no litoral norte do Paraná. Vive em comunidades isoladas e sobrevive basicamente da pesca e da agricultura de subsistência. Cultural e geneticamente é fruto da miscigenação entre índios, portugueses e africanos, ocorrida nos primeiros tempos da colonização.

Nossa região está inserida geográfica e historicamente na definição que acabamos de comentar. Diferimos dela apenas em nossa organização econômica e no fato de estarmos ligados ao mundo. Porém, não é difícil supor que, em nossa origem, vivíamos assim, alimentando-nos do que plantávamos e pescávamos. Imagine-se, por exemplo, a época em que aqui vivia o bacharel Cosme Fernandes, mais de trinta anos antes da chegada de Martim Afonso. É natural supor que o conhecimento trazido pelo bacharel se uniu à sabedoria indígena, possibilitando o modo de vida caiçara. Assim, acredito que temos a mesma origem caiçara.

Porém, não vivemos mais como vivíamos há quinhentos anos. Será por isso que não somos caiçaras?

Vejamos, podemos afirmar tranqüilamente que somos brasileiros ainda que não vivamos mais como vivíamos no tempo da Colonização, ou seja, continuamos brasileiros apesar de todas as mudanças históricas pelas quais passamos. Por que seria diferente com a questão sobre nossa identidade caiçara? Se não vivo mais como viviam meus antepassados deixo de ser caiçara? E por que não conseguimos enxergar nossas raízes? Onde está nossa identidade cultural e histórica? Perdida nas artimanhas de um conceito que valoriza mais a cultura estrangeira do que a nossa? Esse conceito está enraizado no primeiro momento em que o indígena viu o português e sentiu sua pretensa superioridade. Ainda hoje somos assim, sobre-valorizamos a cultura estrangeira e, muitas vezes, menosprezamos a nossa, acreditando que o que vem de fora é sempre melhor.

O que me intriga no conceito acadêmico é olhar o ser humano como uma peça de museu, parada no tempo, desvinculada do momento presente. O caiçara das comunidades tradicionais tem seu modo de vida preservado porque vive em regiões ainda isoladas, caso contrário, estaria vivendo como nós, haja visto o que aconteceu no litoral norte paulista depois da inauguração da estrada Rio-Santos.

Talvez a questão seja: devemos preservar o que éramos ou devemos mudar conforme o passar dos tempos? Creio que devamos preservar e também mudar, pois caso contrário ficaremos perdidos, sem saber quem somos e quem fomos.

A cultura caiçara é muito mais abrangente do que o conceito acadêmico e tacanho que insiste em limitá-la. Acredito piamente que a gênese e a formação do povo brasileiro é caiçara. Por que afirmo isso? Primeiro porque não posso afirmar que o indígena que aqui vivia antes do Descobrimento fosse brasileiro (mesmo porque a idéia de Brasil ainda não existia), sendo assim, visto que o colono era português e o escravo era africano, o primeiro brasileiro necessariamente seria filho dessa miscigenação, ou seja, seria caiçara. Mas como essa identidade poderia ter se alastrado pelo resto do país a ponto de, quase inconscientemente, formar a identidade brasileira? Simples, através dos bandeirantes paulistas liderados pelos portugueses e jesuítas que tinham como principal força de trabalho o caiçara vindo do litoral, mais precisamente de São Vicente. O movimento das Bandeiras, para se ter uma idéia, chegou a alcançar as terras do Paraguai, depois de desbravar o sertão paulista, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso. Ao mesmo tempo em que destruíam, matavam e aprisionavam, os bandeirantes levavam consigo sua herança cultural, seus hábitos, sua crenças oriundos de sua gênese caiçara.

A partir do séc. XIX com a chegada dos imigrantes estrangeiros, nossa região possibilita uma nova onda de miscigenação cultural e genética. É bom lembrar que, durante a maior parte de nossa história, todo conhecimento, toda cultura, chegava pelo mar e aportava em nossa região, para depois ser levada para o resto do Brasil. Como, então, tendo o Brasil começado aqui, em sua origem caiçara e, a partir daqui, se desenvolvido, não teríamos ajudado a formar a identidade brasileira?


Enfim, somos caiçaras, filhos do mar e da terra, dos índios, dos portugueses, dos africanos, dos espanhóis, italianos, franceses, holandeses, japoneses. Somos o primórdio e a contemporaneidade.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

quinta poética - casa das rosas - são paulo




Celebremos a poesia! Percutindo Mundos na Quinta Poética com os poetas José Geraldo Neres (anfitrião),Edson Bueno de Camargo, Marcelo Ariel, João de Jesus Paes Loureiro e Jorge de Barros; a música de Henrique Crespim e Marcello Santos e a arte e dança de Kiusam de Oliveira.


19 hs - 30/07
Quinta Poética
Casa das Rosas - Av. Paulista, 37 - São Paulo

Buzão - Circular Periférico em Santos com Tubarão Arte Dulixo e Percutindo Mundos

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Percutindo Mundos - teaser